domingo, 27 de setembro de 2009

bodyboard vs. tempo

"O tempo. Como no geral o conhecemos, é para o bodyboarder, um conceito vago. Demasiado vago. Porque no mar não há tempo, não há horas, não há minutos, não há segundos. Se os há, ficaram perdidos numa qualquer onda porque eu, pelo menos eu, não os sinto, não os vejo e não os reconheço enquanto corro ondas. Na nossa estranha relação com o tempo, esticamo-lo, ludibriamo-lo e damos-lhe a volta para depois baralhar e voltar a dar. E fazemos, no mar, um tempo diferente acontecer. E quando pisamos terra firme, a terra dos horários, dos compromissos, dos atrasos, das horas de ponta, das reuniões, das aulas, do telejornal ás 20, é impossível não pensar na próxima surfada. Por muitas razões mas também por esta: nós somos marginais do tempo. O nosso tempo não é o da terra dos horários. É um tempo que antes de sequer ser, já o era. É do mar, das marés, da lua, do vento, das rochas, dos corais e da areia. É um tempo de equações e disposições. Da natureza. Que sorte a nossa. "

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